TV DIGITAL: O QUE A MÍDIA GRANDE NÃO DIZ
Bruno Zornitta, 03.02.2006
A discussão sobre a implantação da televisão digital no Brasil foi por muito tempo boicotada pela mídia grande. Agora - às vésperas de se decidir qual o padrão de TV digital deverá ser adotado no país -, como não é mais possível ocultar o tema, só resta às grandes empresas descontextualizá-lo.
Raras são as reportagens que tocam na questão principal do tema: a digitalização da TV traz consigo a possibilidade de otimização do uso do espectro eletromagnético de radiodifusão. Ou seja, dependendo das decisões que forem tomadas agora pelo governo, poderemos ter muito mais emissoras de TV em um futuro próximo. É a chance real de diminuir a concentração de propriedade no setor. Hoje, apenas seis redes privadas nacionais dominam o mercado de TV no Brasil.
Com o surgimento de novas concessões públicas, a sociedade civil organizada poderia enfim ter espaço garantido na telinha. Seria o fim da desculpa de que "não há espaço" para as TVs comunitárias e universitárias em sinal aberto, por exemplo. Seria também o momento ideal para reivindicar a criação de um sistema público de televisão, conforme estabelece o artigo 223 da Constituição Federal.
ISDB vs. DVB
O dia 10 de fevereiro foi escolhido como prazo para que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, apresente um relatório técnico com as vantagens e desvantagens de cada padrão de TV digital. A partir de então, caberá ao presidente Lula definir o padrão - europeu (DVB), japonês (ISDB) ou estadunidense (ATSC) - que será adotado como base para o sistema digital. Serão incorporados elementos nacionais ao padrão escolhido, tecnologias desenvolvidas por consórcios de universidades brasileiras sob orientação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).
O padrão estadunidense já foi praticamente descartado. A disputa agora esta entre o DVB e o ISDB. Quem acompanha o noticiário da mídia comercial pode perceber que as Organizações Globo e o ministro Hélio Costa estão defendendo com unhas e dentes os japoneses. O argumento utilizado é que apenas o ISDB permite transmissões móveis, o que é mentira, pois já existe o DVB-H, para atender a essa demanda. Mas por que a Globo prefere o padrão japonês? Basicamente, porque, com o ISDB, os radiodifusores controlarão as transmissões digitais. Com o DVB-H, o controle passa às mãos das empresas de telecomunicações. Não perca o próximo artigo do jornalista Gustavo Gindre, aqui neste www.fazendomedia.com, explicando melhor essa questão.
Rádio Digital
Enquanto todos os olhos estão voltados para a TV digital, a definição do modelo de rádio digital a ser adotado no país não está sendo discutida. Desde setembro do ano passado, estão sendo realizados testes nas emissoras comerciais de rádio com um padrão estadunidense de tecnologia proprietária, o IBOC (In Band On Channel). Com esse padrão, as emissoras precisarão de mais espaço no dial para transmitir, o que dificultará a entrada de mais emissoras e praticamente inviabilizará as rádios livres e comunitárias. Além disso, o Brasil ficará refém do pagamento de royalties aos EUA.
Preocupados com isso, ativistas pela democratização da mídia no Rio de Janeiro estão articulando uma mobilização sobre o tema. No dia 22 de fevereiro, às 14h, será realizada uma audiência pública sobre rádio digital na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). Após a audiência, o bloco "Tire o Dedo do Meu Digital" sairá da Praça XV em direção à Cinelândia, cantando o samba da digitalização (que está sendo elaborado com a ajuda do compositor Darcy da Mangueira) e distribuindo panfletos informativos. Mais notícias em breve neste Fazendo Media.
http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota030206.htm
A discussão sobre a implantação da televisão digital no Brasil foi por muito tempo boicotada pela mídia grande. Agora - às vésperas de se decidir qual o padrão de TV digital deverá ser adotado no país -, como não é mais possível ocultar o tema, só resta às grandes empresas descontextualizá-lo.
Raras são as reportagens que tocam na questão principal do tema: a digitalização da TV traz consigo a possibilidade de otimização do uso do espectro eletromagnético de radiodifusão. Ou seja, dependendo das decisões que forem tomadas agora pelo governo, poderemos ter muito mais emissoras de TV em um futuro próximo. É a chance real de diminuir a concentração de propriedade no setor. Hoje, apenas seis redes privadas nacionais dominam o mercado de TV no Brasil.
Com o surgimento de novas concessões públicas, a sociedade civil organizada poderia enfim ter espaço garantido na telinha. Seria o fim da desculpa de que "não há espaço" para as TVs comunitárias e universitárias em sinal aberto, por exemplo. Seria também o momento ideal para reivindicar a criação de um sistema público de televisão, conforme estabelece o artigo 223 da Constituição Federal.
ISDB vs. DVB
O dia 10 de fevereiro foi escolhido como prazo para que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, apresente um relatório técnico com as vantagens e desvantagens de cada padrão de TV digital. A partir de então, caberá ao presidente Lula definir o padrão - europeu (DVB), japonês (ISDB) ou estadunidense (ATSC) - que será adotado como base para o sistema digital. Serão incorporados elementos nacionais ao padrão escolhido, tecnologias desenvolvidas por consórcios de universidades brasileiras sob orientação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).
O padrão estadunidense já foi praticamente descartado. A disputa agora esta entre o DVB e o ISDB. Quem acompanha o noticiário da mídia comercial pode perceber que as Organizações Globo e o ministro Hélio Costa estão defendendo com unhas e dentes os japoneses. O argumento utilizado é que apenas o ISDB permite transmissões móveis, o que é mentira, pois já existe o DVB-H, para atender a essa demanda. Mas por que a Globo prefere o padrão japonês? Basicamente, porque, com o ISDB, os radiodifusores controlarão as transmissões digitais. Com o DVB-H, o controle passa às mãos das empresas de telecomunicações. Não perca o próximo artigo do jornalista Gustavo Gindre, aqui neste www.fazendomedia.com, explicando melhor essa questão.
Rádio Digital
Enquanto todos os olhos estão voltados para a TV digital, a definição do modelo de rádio digital a ser adotado no país não está sendo discutida. Desde setembro do ano passado, estão sendo realizados testes nas emissoras comerciais de rádio com um padrão estadunidense de tecnologia proprietária, o IBOC (In Band On Channel). Com esse padrão, as emissoras precisarão de mais espaço no dial para transmitir, o que dificultará a entrada de mais emissoras e praticamente inviabilizará as rádios livres e comunitárias. Além disso, o Brasil ficará refém do pagamento de royalties aos EUA.
Preocupados com isso, ativistas pela democratização da mídia no Rio de Janeiro estão articulando uma mobilização sobre o tema. No dia 22 de fevereiro, às 14h, será realizada uma audiência pública sobre rádio digital na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). Após a audiência, o bloco "Tire o Dedo do Meu Digital" sairá da Praça XV em direção à Cinelândia, cantando o samba da digitalização (que está sendo elaborado com a ajuda do compositor Darcy da Mangueira) e distribuindo panfletos informativos. Mais notícias em breve neste Fazendo Media.
http://www.fazendomedia.com/diaadia/nota030206.htm


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