msgbartop
msgbarbottom

31 Mar 05

http://en.wikipedia.org/wiki/Slashdot_effect

Slashdot effect
From Wikipedia, the free encyclopedia.

The Slashdot effect is a particular example of how a popular website can cause a smaller site to slow down or even temporarily close after causing a great increase in the number of visitors going to the smaller site. The huge influx of web traffic is a result of it being mentioned on Slashdot, a popular technology news and information site. Typically, less robust sites are unable to cope with the huge increase in traffic and become unavailable ? either their bandwidth is consumed or their servers are unable to cope with the high strain.

24 Mar 05

Cordel pra Severino

Odorico Paraguassú,
Sinhozinho, Bush, anão.
Nem mesmo a melhor das piadas
me faz rir de coração
Esse homem me dá medo,
não quero ver ele não.

Não falo de nada que é físico,
não comento o corporal
Me incomoda a atitude,
o projeto pessoal
Esse homem, Severino,
me parece ser do mal.

Fala coisas que não deve
Faz coisas que D’us duvida
Contrata a família e defende
quer mandar na nossa vida
Aumenta salário de rico
na cara de gente sofrida.

Não entendo de política
pra compreender o sucedido.
Como ele foi parar lá?
Foi algum doido varrido?
Foi uma brecha da lei?
Azar ou mal entendido?

Eu não sei dizer, sei não.
só sei que estou irada:
voltamos a viver no Brasil
o velho clima de piada:
tem gente que na vida pública
o que sempre faz na privada.

Rosana Hermann

16 Mar 05

NADA A COMEMORAR

A molecada me provoca a postar sobre o “Aniversário da Democracia Brasileira”, que estaria comemorando 20 anos esta semana.

Sinto muito decepcioná-los, mas a data de ontem não merece comemoração. Não é marco de democracia alguma. Muito pelo contrário. Há 20 anos, dois senhores chegaram ao poder sem eleição direta. Às custas de barganhas políticas e acordos “de lideranças”, o que no Brasil é sinônimo de troca de favores. Não reconheco valor algum em insetos da estirpe de José Sarney que em vários canais de TV no dia de ontem se auto proclamou o cara que “abriu os poços artesianos” da democracia, no seu estilo poético sempre farto em mau gosto.

Crianças, vamos comemorar o quê? Sarney vinha do PDS, o partido que apoiava a Ditadura. Ele, o sempre presente surfista do poder, mais uma vez farejava a próxima onda e pegava carona no movimento das diretas, que ele não participou absolutamente, e dropava com precisão uma vaguinha de vice na chapa de Tancredo. Esse por sua vez, apesar de ter participado, moderadamente, do movimento pelas diretas, estava longe de ser um político ligado aos anseios do Brasil. Na época, eu estava lá ao vivo, todo mundo tinha ganas de mudança. O desejo popular era escalar um centroavante que puxasse o país para frente. Mas Ulisses estava já velho, FHC novo, Lula excessivamente chucro, Covas ainda limitado a SP, era prefeito da cidade, sobrou o mineirinho que jogava na retranca. Ou no máximo um meio campo recuado.

Apesar de homem digno, Tancredo nunca foi um político carismático, coisa que só a morte lenta na TV ao vivo, fez acontecer de forma artificial. Até hoje sou questionado por amigos quando digo isso. Mas na época fui uma testemunha ocular da hipnose que a TV exerceu sobre as mentes nacionais. Estava viajando por Cuba, Europa e Estados Unidos, gravando documentários na pele do Varela. Quando deixei o Brasil, ninguém ligava muito para Tancredo. Era apenas mais um no jogo pesado do xadrês político da época.

Voltei ao Brasil no dia 23 de Abril, horas depois da morte do presidente que nunca tomou posse. Diante da choradeira, do transe nacional, perguntei inocentemente: mas o que aconteceu de tão especial? Quase fui apedrejado. Tancredo tinha virado santo. E eu um pecador que invocava seu nome em vão. A coisa foi tão hipnótica que basta dizer que o porta-voz dele, o cara que ficava lendo boletins médicos no Incor, um ex-jornalista da TV Globo que não me recordo agora o nome, virou governador do Rio Grande do Sul, depois desse show de cobertura macabro.

Sarney, como sabemos, virou presidente. Com sua cara de sonrisal e pretenso homem de bem, se tornou o maior outorgador de concessões de TV e rádio da História do Brasil. Foram mais de mil no seu mandato extendido a fórceps para cinco anos. Mais do que todas as concessões de rádio e TV já outorgadas desde que começamos a usar o rádio e da TV em território brasileiro! Este ato de Sarney, o loteamento de concessões públicas, na minha modesta opinião, foi o maior crime já cometido contra a democracia no Brasil. TVs e rádios foram barganhadas com políticos em troca de favores. Até hoje podemos sentir o efeito da mão pesada e da ignorância desse coronéis que controlam milhões de votos em currais eleitorais, especialmente no norte e nordeste. Incluindo o Maranhão, império do surfista da onda da hora Sarney, hoje aliado pole-position, vejam vocês, do governo Lula (ja havia sido do governo FHC).

Portanto, meus queridos e queridas, comemorar democracia esta semana é de um oportunismo gritante. Vocês viram quem saiu que nem louco atrás dos microfones e holofotes: ACM, Marcos Maciel, Sarney… Pergunto: eles representam que democracia? Sarney deu a mesma entrevista na Globo, na TV Cultura e CBN. Se colocou “modestamente” como o pai da democracia moderna brasileira.

Ainda, teve a cara de pau de dizer que a inflação durante o seu mandato (mais de 80% ao mês!, a maior do universo conhecido pela NASA) atingia “níveis aceitáveis para o contexto mundial da época”. Para não falar dos inacreditáveis e fracassados planos Cruzado 1 e 2, que só erodiram o salário dos trabalhadores e aprofundaram a tragédia social brasileira. O senador pelo Amapá (ué, mas ele não mora no Maranhão?) está chamando eu, você, nós todos de burros, cegos e surdos. O pior é que não houve reação alguma dos entrevistadores. Que vergonha!

Portanto, brasileiros e brasileiras, para mim esta semana deveria ser de luto. Pela falsidade das figuras que tomaram o poder e estão aí até hoje mamando na nossa recém nascida e frágil democracia. Se é para comemorar de fato, penso que devemos esperar até 2009, aí sim 20 anos depois da primeira eleição direta de 1989, ano em que elejemos, toc toc toc, elle, o playboyzinho das Alagoas.

É, crianças, construir um país não é tarefa fácil. Caminhamos muito, da ditadura para cá, sem dúvida. Mas não por vontade ou patriotismo de Sarney & Cia. Aliás, diria que apesar deles caminhamos. E por causa deles, ainda temos tanta picaretagem para expurgar. O trabalho está só no começo.

A questão que fica é: que lições tirar dessa eletrizante história que se chama História do Brasil? Estão abertos os comentários.

Escrito por Marcelo Tas
http://marcelotas.blog.uol.com.br/